segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Cientistas provam que existiu uma supercivilização na Terra antes da Humanidade

Os cientistas russos fizeram uma declaração sensacional: existiu na Terra uma civilização superdesenvolvida antes do aparecimento do homem na Terra.

Os investigadores das regiões de Rostov e de Krasnodar chegaram a essa conclusão depois de uma descoberta única feita por um habitante da cidade de Labinsk. Quando pescava, Viktor Morozov descobriu uma pedra desconhecida, no interior da qual se encontrava um microchip, informa o jornal Mir Novostei.
Depois de analisar o “artefato” encontrado, os especialistas concluíram que ele pertenceu a uma civilização mais desenvolvida do que a humana, que viveu na Terra antes de nós.
A descoberta única conservou-se desde tempos antigos por ter estado “mergulhada” na pedra, explicam os cientistas.
Na véspera, no laboratório do Instituto Politécnico de Novocherkassk, região de Rostov, foi realizado, com os esforços da cadeira de geologia, um estudo para determinar a idade da descoberta. Constatou-se que a pedra anormal tem cerca de 250 milhões de anos. Este fato é uma prova da existência na Terra de uma civilização ultra desenvolvida muito antes do aparecimento do homem antigo. Provavelmente, nós só num futuro longínquo possamos atingir o nível de tecnologia por ele alcançado.

http://br.sputniknews.com/portuguese. ruvr.ru/news/2014_11_24/Cientistas-provam-que-existiu-uma-superciviliza-o-na-Terra-antes-da-Humanidade-8111/

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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Quem eram os vikings?


Por Roberto Navarro | Edição 12

Era um povo originário da Escandinávia, que colonizou e saqueou várias regiões da Europa entre os séculos 9 e 11, influenciando bastante a cultura e a história do continente. O nome pelo qual ficaram conhecidos teria se originado da palavra vikings, que significaria "pirata" em antigas línguas escandinavas - embora alguns especialistas acreditem que a expressão possa derivar de vik, ou "baía". Sua sociedade era formada por clãs, espécie de tribos unidas por laços familiares e chefiadas por proprietários de terras, que também assumiam o papel de líderes militares. Sob seu comando, estavam homens e mulheres que, pelo menos em suas terras, viviam pacificamente como simples agricultores e pescadores. Aliás, as mulheres vikings, ao contrário do que ocorria nas outras regiões da Europa, contavam com muita liberdade: podiam ser proprietárias de terras, administrar o cultivo das fazendas e negociar com mercadores. Cada clã possuía também seus escravos, capturados durante ataques bem-sucedidos a países distantes.

Esse instinto conquistador dos vikings, que os levava a pilhar vilas e cidades costeiras da Europa, foi alimentado principalmente por dois fatores: o crescimento da população escandinava e a escassez de terras cultiváveis na região. Mas, apesar de atacarem freqüentemente outros povos, esses guerreiros não merecem totalmente a fama de assassinos impiedosos, imagem criada por crônicas medievais escritas justamente pelas vítimas das invasões. "Os vikings não foram mais sanguinários que qualquer outro povo da época, mas eram pagãos e assim não se detinham na porta das igrejas ou monastérios, como faziam os outros europeus. A sociedade nórdica da época baseava-se na agricultura e na pesca e essas eram as verdadeiras ocupações primárias dos guerreiros", diz o arqueólogo e especialista no assunto Robert McGhee, do Museu Canadense da Civilização, na cidade de Gatineau.

Mas, quando largavam os cuidados com a terra e partiam para novas conquistas, eles contavam com um grande aliado: seus barcos, que tinham uma tecnologia bastante avançada para a época. O problema é que todo esse grande conhecimento de construção naval não era seguido à altura pela capacidade de orientação em alto-mar. "As descobertas dos vikings pelo oceano Atlântico resultaram da combinação de navios bastante eficientes com um conhecimento muito pobre de navegação, o que significa que, na maior parte, suas descobertas foram acidentais", afirma McGhee. Toda essa expansão oceano afora - que os levou até o Canadá - e os ataques freqüentes ao resto da Europa durou enquanto os países escandinavos contavam com um excesso de jovens dispostos a buscar aventura e fortuna longe de casa.

A partir do século 11, esse excedente populacional diminuiu, esgotando a capacidade dos clãs de recrutarem novos guerreiros para suas perigosas viagens. Foi o início do fim desse modelo de sociedade nos países nórdicos. O rei Olaf II Haraldsson, que subiu ao trono da Noruega no ano de 1015, é considerado o último chefe viking tradicional.

Pioneirismo transatlântico
Escandinavos chegaram à América cinco séculos antes de Colombo
Ninguém sabe detalhes sobre as expedições vikings, mas certas rotas abertas por eles costumam ser atribuídas a grupos específicos. A expansão em torno do mar Báltico e pela Rússia foi provavelmente obra dos suecos (rota em vermelho). Já os noruegueses seriam os responsáveis pela colonização da Islândia, pela descoberta da Groenlândia e do Canadá (verde-escuro) - ou seja, teriam chegado à América quase cinco séculos antes de Colombo. A última grande rota era a dos vikings dinamarqueses, que controlaram parte da Inglaterra, cruzaram o estreito de Gibraltar e chegaram até a Itália (verde-claro)

LUTA SEM CHIFRES

Os vikings costumavam lutar a pé, usando uma espada como arma principal - mas carregavam também machado, lança e, às vezes, arco e flecha. Apesar de sua imagem ter ficado gravada no imaginário popular com aqueles capacetes de chifres, eles provavelmente só usavam essas peças em cerimônias religiosas

CASCO

O desenho em forma de V, desenvolvido no século 8, tornava mais eficiente o deslocamento sobre a água do mar, permitindo maiores travessias. O casco - formado por pranchas de carvalho - era especialmente flexível, leve e resistente

Tecnologia avançada
Os possantes barcos vikings tinham velas e cascos especiais
Mastro

Não existia só um modelo de barco viking. Mas havia geralmente algumas características comuns entre eles. O mastro, por exemplo, era feito de pinho e podia ser baixado e levantado durante a viagem, para adaptar-se às condições do vento e às necessidades da navegação

Vela

Foi a partir do século 9 que os barcos vikings passaram a ser impulsionados por vela, além dos tradicionais remos. Na forma de retângulo ou trapézio, a vela era feita com a lã de um tipo especial de ovelha, cuja oleosidade a tornava impermeável e ultra-resistente

Remos

Pelo menos 30 homens remavam o barco de cerca de 20 metros de comprimento. Eles entravam em ação nas manobras em águas rasas e na abordagem de navios inimigos. Um remo no lado direito da traseira da embarcação servia de leme. Para se protegerem, os vikings encaixavam escudos no casco e passavam os remos por um buraco no centro dele



domingo, 4 de novembro de 2012

XAMANISMO E ANIMAIS DE PODER


Texto de Paulo Urban, médico psiquiatra e Psicoterapeuta do Encantamento

Em etnias humanas as mais variadas, espalhadas pelos cinco continentes, desde as mais arcaicas até as civilizações contemporâneas, que valorizam o ritualismo mágico e a participação mística do ser humano integrado à natureza, faz-se imprescindível a figura do xamã. Este, universalmente, é reconhecido em seu meio como elo entre nosso mundo terreno e as hostes espirituais, entre o sagrado e o profano, entre os vivos e seus ancestrais.

A despeito do termo ter-se popularizado (sendo aplicado a todo e qualquer curandeiro especialmente detentor do saber médico-religioso de seu povo), o nome xamã, originariamente, é asiático. Diz respeito aos samans, feiticeiros Tungues, um dos povos da família altaica que habitava a região centro-setentrional siberiana na era Paleolítica, cerca de 20.000a.C. O termo é aparentado do sânscrito sramana e do pâlisamana, que designam o “homem inspirado por espíritos”, podendo igualmente significar “esconjurador ou exorcista”.

O xamã é, antes de tudo, o porta-voz oracular de seu povo. É ele o iniciado nos mistérios da natureza, nos segredos dos ciclos de vida e morte, nos fenômenos mórbidos ou climáticos que podem ameaçar sua comunidade. Professando um papel de agente equalizador de forças, mediante sua cumplicidade com a natureza, o xamã detém a sabedoria de interpretar os seus desígnios e escutar os seus apelos a fim de contrapor às vicissitudes e às intempéries da vida seus ritos e passes capazes de reinstaurar a ordem cósmica, garantindo assim a permanência de sua gente ao longo das gerações.

O xamã opera sempre atento aos sinais que possam ser lidos à sua volta; ele ouve as pulsações da terra, compreende o caráter dos ventos e tempestades, entende o que lhe dizem os animais, extrai conhecimento de plantas sagradas, vale-se das propriedades medicinais dos reinos mineral, vegetal e animal que o cerca, e prevê em razão de eventos observados a tendência das ocorrências vindouras.

O universo xamânico, podemos afirmar, é sincronístico; isto é, longe da relação de causa e efeito a que o mundo civilizado ocidental, filho da ciência moderna, acostumou-se a viver nos últimos três séculos de história, o modo de viver xamânico privilegia as sincronicidades. Tal termo, no sentido que lhe deu Jung (1875-1961), diz respeito ao fenômeno de coincidirem no tempo dois ou mais eventos objetivos, claramente perceptíveis na realidade exterior, sem relação causal entre os mesmos, mas que, simultaneamente, são consonantes com algum estado psíquico fortemente emocional, o que permite àquele que presencia tal experiência, abstrair dela algum significado súbito e evidente, capaz até mesmo de subverter suas próximas condutas, ainda que tal entendimento se faça por vias não racionais.

Assim sendo, o xamã é aquele que atualiza em seu contexto cultural uma tendência inata da espécie humana, que consiste em criar símbolos e transformar inconscientemente o significado de objetos, seres vivos ou eventos naturais, de modo a conferir-lhes uma importância psicológica mais profunda (ou mesmo sagrada), para daí fazer uma leitura sincronística dos fenômenos todos que os agreguem.

Tal prática, a paleoantropologia o prova, remonta aos tempos pré-históricos. Inúmeras cavernas do paleolítico apresentam figuras rupestres de animais em câmaras interiores às quais o caminho é bastante dificultado, devendo o visitante arrastar-se por passagens baixas e estreitas, escuras e úmidas, até ficar impressionado diante das pinturas. Evidentemente, locais quase inacessíveis assim, serviam ao propósito de cerimônias ritualísticas reservadas.

As mais interessantes figuras estão na caverna-templo de Trois Frères, sul da França. Nela pode-se ver um homem barbado, com corpo de cavalo, patas de urso e chifres de veado, dançando. Nela também encontramos a figura de outro homem vestindo pele de animais e tocando flauta. Na caverna vizinha, Tuc d’Audoubert, foram descobertas pegadas de um dançarino em torno de um baixo-relevo que mostra dois bisões, e as marcas são de passos dados sobre os calcanhares, de modo a imitar os cascos dos animais. Tudo isso nos revela o quanto a interação dinâmica entre homens e animais sempre marcou profundamente o psiquismo mágico, próprio dos povos que se faziam representar por seus xamanes.

A propósito, o animal, tomado em sua qualidade de arquétipo, representa nosso conjunto de potencialidades e instintos que podem desdobrar-se em dons especiais se devidamente assimilados. Os animais simbolizam, via de regra, forças cósmicas terrenas, trevosas, ou espirituais, e acham-se presentes por todas as mitologias, quer associados à imagem dos deuses, quer ocupando o lugar das próprias divindades.

O poder do xamã, nesse aspecto, decorre do entendimento que se estabelece entre ele e as hostes espirituais que o rodeiam, visto que não se discute que o xamã possa perceber a realidade sutil disfarçada por detrás dos eventos corriqueiros da vida, como por exemplo, o vôo rasante de um pássaro, a passagem de um morcego em hora de sagração ritualística, o rugir de uma fera, a queda de uma árvore etc… A percepção intuitiva xamânica não se limita, obviamente, à esfera animal; toda a natureza pode servir-lhe de texto sagrado, e o xamã interage com o espírito da lagoa, com a força da montanha, com as entidades do fogo e assim por diante. Cite-se aqui o iaque Don Juan, famoso brujo dos livros de Carlos Castañeda: “O xamã é aquele que realiza, graças aos espíritos-guardiões, aquilo que nenhum homem comum conceberia ser possível”.

Em 1996, conheci na Bolívia, num Congresso de Psiquiatria, o xamã Carlos Prado, que esteve em setembro passado visitando o Brasil a convite da revista Planeta. Carlos proferira uma palestra para o meio acadêmico que versava sobre os efeitos terapêuticos da ayuasca no tratamento das drogadependências. A ayuasca é uma das plantas de poder com que Carlos Prado trabalha. Fiquei impressionado com sua clareza e conhecimento, e iniciei ali mesmo uma relação profissional que se estendeu à amizade e, sobretudo, levou-me a uma busca iniciática, que até hoje vem se desdobrando. Em 1998, fui levado por ele ao Tiraque, cidade próxima de Cochabamba. À noite, afastamo-nos do modesto povoado em direção à região campesina. Instalamo-nos em casa de adobe, longe de tudo aquilo que se possa chamar civilização. Bem longínquo, ouvíamos o som de uma zampoña. Pela primeira vez pude então compreender o que vem a ser uma manifestação do espírito-guardião, que muitas vezes apresenta-se sob as vestes de um animal de poder.

Na última passagem de Carlos Prado pelo Brasil, ele me recomendou a seu conterrâneo, o xamã Inti Roman, com quem tenho dado seguimento a meu processo de descobertas pessoais e aprendizado de sua cultura. Dele aprendi, por exemplo, alguma coisa a respeito dos três principais animais totêmicos por excelência do universo andino: o puma, o côndor, e a lhama.

A lhama é o tronco genético da família dos camelídeos, sendo a alpaca, o guanaco e a vicunha os demais componentes de seu grupo. Importantíssimo para a economia andina, deste animal tudo é aproveitado, desde o esterco e a gordura, até a lã. Os camelídeos habitam as altas montanhas e representam a própria Pachamama, ou mãe Terra, posto que são animais serenos, resistentes ao frio, fortes e estáveis. Da vicunha pode-se extrair a lã mais fina, com a qual, antigamente, apenas os nobres Incas podiam vestir-se. Seu surgimento em sonhos e visões traz a idéia de trabalhos e fardos a serem cumpridos, sugere-nos resistir às dificuldades e nos anuncia bom agouro aos novos empreendimentos.

Já o condor, em todas as mitologias da Cordilheira dos Andes, seja em Tiahuanaco, em Chavin de Huantar, nas cerâmicas de Nazca ou pedras de Ica, é uma ave cósmica, portadora de energia solar e simboliza o espírito das montanhas. Relaciona-se ao Uirapuru das florestas amazônicas e é correlato da águia na alquimia. O condor, maior ave de rapina do planeta, simboliza a consciência arguta e desabrochada, de asas abertas, capaz de enxergar com clareza o presente e o futuro. É também ícone de liberdade, de renascimento e sinal de intuição sincronizada à inteligência.

O puma, animal caçador de hábitos noturnos, por sua vez, é contraparte do condor. Simboliza a essência feminina e comumente é visto representado com um meio-disco preso ao pescoço, sugestivo do elemento lunar. Podemos dizer, condor e puma compõem o “tao” andino, já que respectivamente são exemplos das energias opostas primordiais, de onde tudo se deriva: K’onhi (yang, ou o quente) e Tchiri (yin, ou o frio).

Claro, muitos outros animais existem dentro ou fora do mundo andino, e todos eles se prestam para nos impressionar o psiquismo ou assumir a função de espíritos-guardiões. Mais adiante daremos um quadro sumaríssimo de alguns desses animais que freqüentemente nos visitam em nossos sonhos. Cada animal traz os talentos que lhe são inerentes. Sempre que os vislumbramos, quer em sonhos, quer em visões ou exercícios de imaginação ativa, conforme nos ensinou Jung, não deveríamos desperdiçar a chance de explorar em nosso mundo interior os aspectos para os quais eles chamam nossa atenção. Muitas vezes o surgimento de certos animais propõe que focalizemos a consciência sobre determinado modo de agir, em razão do que, a partir dessa nova percepção, somos inspirados e melhoramos nossa conduta.

A maneira mais eficiente de identificarmos nosso animal de poder (aquele que prevalece em nossa mitologia pessoal e nos acompanha pela vida, e que reaparece sempre que estamos precisando rever ou descobrir certos passos do caminho), sem dúvida alguma, é mediante a ingestão de bebidas sagradas, ampliadoras da consciência, potencializadoras do psiquismo. Na falta dessa oportunidade, Inti Roman nos ensina um exercício doméstico proveitoso, para ser feito com seriedade após um dia tranqüilo, durante o qual podemos nos preparar mediante jejum (aconselhável, mas não necessário) e bons pensamentos:


1. Prepare previamente um ambiente reservado (pode ser o quarto de dormir) com incenso, iluminação de velas e música suave.
2. Ao iniciar sua harmonização, tome um copo d’água e respire fundo por algumas vezes até perceber-se bem calmo e relaxado.
3. Relaxe o corpo, focalizando sua atenção parte a parte, de baixo para cima; isto é, relaxe primeiro os pés e aos poucos vá relaxando todo o corpo até chegar à cabeça.
4. Coloque música motivacional. Dê preferência à música xamanica ou indígena, com instrumentos de sopro e tambores se possível. Qualquer música harmônica e inspiradora, na verdade, serve.
5. Feche os olhos e deixe-se levar pelo som e perfume do ambiente. Imagine-se em algum lugar em meio à natureza; poderá ir às montanhas, à praia, à floresta, enfim, a qualquer lugar…
6. Mantenha-se receptivo e esteja atento às imagens que surjam nessa experiência e nos sonhos das próximas noites, até que determinado animal prevaleça e se torne presente de modo significativo para você.
7. Explore, com todo o respeito, todas as possibilidades de diálogo e aprendizado que poderá ter consigo mesmo a partir da percepção de seu animal de poder.
8. Agradeça à natureza e aos animais por terem você como amigo.
9. Agradeça às possíveis graças recebidas ou idéias intuídas.

Obs: Não se preocupe nem fique ansioso para encontrar seu animal de poder. Se proceder corretamente, em momento oportuno ELE encontrará você!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Aldeia Nativa - Xamanismo em Minas Gerais



CAMINHAR EM BELEZA - A ESSÊNCIA DA PRATICA XAMÂNICA


Depois de uma caminhada vivencial com práticas de xamanismo, na Serra do Cipó, um participante compartilhou comigo sua experiência - disse que não tinha idéia do quanto aquela simples atividade o tocaria e o faria refletir sobre suas posturas na vida. Depois me perguntou – Porque as pessoas não praticam o Xamanismo, já que essas práticas nos fazem tanto bem?

O que experimentou o participante na caminhada é comum a outras pessoas, que também vivenciam mudanças internas importantes com a prática do Xamanismo.

O tema se tornou popular nas últimas décadas, objeto de interesse, curiosidade e ao mesmo tempo estranhamento.

O xamanismo existe há milhares de anos. Há registros na Sibéria, América do Sul, América do Norte, China, Índia, Tibete, África e Austrália, em épocas remotas. No entanto, suas práticas foram negligenciadas pelo modelo mecanicista de ciência presente em nossa cultura até o século XX que concebeu o homem como criatura confinada à função corporal e cerebral.

Mas o que há de tão especial em suas práticas?
A resposta a esta pergunta está na possibilidade de desenvolvimento integral que o Xamanismo encerra. O Xamanismo percebe o ser humano em sua totalidade, englobando os aspectos físicos, energéticos, emocionais, mentais e espirituais, integrado à natureza, que é sentida e respeitada como sendo uma única família, a família do Grande Espírito.

Esta visão sistêmica coincide com o paradigma moderno da ciência contemporânea que considera nossa natureza como multidimensional e nos coloca como redes de complexos campos de energia em contato com o sistema físico e celular.

O Xamanismo é uma prática altamente integrada e holística com modelos e ferramentas de crescimento pessoal e grupal com métodos de cura de altíssimo nível de eficácia, o que explica o crescente interesse de pessoas, profissionais e até mesmo organizações que se voltam para elas na busca de equilíbrio, bem estar, desenvolvimento espiritual. Até os mais modernos treinamentos empresarias tem sofrido a influência destas práticas, é o caso dos treinamentos o ar livre, com praticas vivenciais que usam modelos de crescimento pessoal e grupal muito parecidos com algumas propostas xamanísticas de contato com a natureza.

Em 1985, foi criado nos EUA um grupo intercultural de pesquisas entre cientistas americanos e pajés hopi para tentar compreender como a ciência hopi conseguia curar cânceres quando a tecnologia americana tinha fracassado. (Patrick Drouot).

As práticas xamânicas proporcionam um contato real com um rico e profundo universo subjetivo, com a possibilidade de aumentar nossa energia disponível e poder pessoal trazendo força, vitalidade, equilíbrio, bem-estar, saúde e paz para vivermos melhor nossa aventura pessoal.

Basicamente o que se busca alcançar com a prática do Xamanismo é uma mudança de consciência que abre novas portas de expressão, expansão, cura e bem estar.

Cada cultura nativa desenvolveu, no entanto, seus próprios métodos para ampliação da consciência. Na visão xamânica da Tradição Nativa Americana, conhecida como Caminho Vermelho, tudo aquilo que cura o corpo, a mente e o espírito é considerado Medicina. Cura significa tudo que ajuda o indivíduo a se sentir mais integrado e harmonizado consigo mesmo, com a natureza e com todas as formas de vida. Para encontrar a cura de um desafio ou problema pessoal, os Ancestrais poderiam usar as Jornadas Xamânicas, espécie de meditação conduzida ao som de tambores, Resgate de Alma, que utiliza os dons intuitivos do Xamã para dissolução de bloqueios energéticos, Temaskal, uma espécie de sauna de purificação conduzida de forma ritualística, Contação de Histórias de sabedoria, danças, rituais, ou ainda caminhadas pelas florestas e montanhas em busca de indicações ou sinais da natureza que pudessem auxiliá-los na cura.

No Xamanismo Mexicano, ou Tolteca, que ficou conhecido pelas obras de Carlos Castanheda, os estados ampliados de consciência são atingidos pelos Passes Mágicos, uma série de movimentos corporais que ampliam a energia de quem pratica; pela recapitulação, uma espécie de meditação e pela espreita na qual os praticantes observam seus comportamentos na tentativa de modificar seu estado de energia.

O Xamanismo brasileiro rico em conhecimentos ligados à flora amazônica influenciou seitas como o Daime, a UDV, etc. Apesar de muitas pessoas ligarem Xamanismo ao uso do Ayuasca, na verdade esta prática está presente apenas no Xamanismo Brasileiro, oriundo dos povos das florestas.

Cada povo nativo, com seus diferentes métodos busca restabelecer os laços com nossos Guias ou Auxiliares de Cura.

Qualquer pessoa pode também se beneficiar desta antiga sabedoria. O Xamanismo atual, ou Neo xamanismo pode ser definido como a capacidade natural humana de abrir-se a outro tipo de consciência, de entrar em contato com outras realidades, outros reinos de consciência como, por exemplo, a consciência das plantas, dos animais, das forças da natureza, dos guias e ancestrais, do Grande Mistério. Um Xamã percebe a grande teia da vida e interage com ela. Procura modificar sua energia, ampliando-a, sem medo de descer ao seu inferno pessoal para transmutá-lo e integrá-lo. É por esta razão que o Xamanismo é uma prática de profundo auto-conhecimento e integração.

Este é convite a quem quiser aventurar-se neste conhecimento milenar. Mesmo em nosso mundo agitado de hoje é possível encontrar esse Caminho de Cura, se o buscador se dispuser a ler e a entender os sinais da natureza, entendendo que nós também somos natureza. Este é o papel do xamanismo hoje. Ajudar as pessoas a se reconectarem com aquilo que elas têm em si mesmo que as auxilia no processo de equilíbrio e transformação da consciência.

Foi por esta razão que meu amigo conseguiu perceber, na caminhada, algo que há muito vinha lhe incomodando. Ele se abriu para outro tipo de consciência e como dizem os ancestrais do Caminho Vermelho, do Xamanismo Norte Americano, ele conseguiu naquele instante, “Caminhar em Beleza” e seu problema foi então, visto sob outra perspectiva.

Denise Mascarenhas
Guardiã da Aldeia Nativa
Estudiosa das Culturas Ancestrais do Caminho Vermelho
www.aldeianativa.com.br – 8733 9301